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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Uma vasta obra...

Manuel António Pina, em 2005
Manuel António Pina
Manuel António Pina, escritor e jornalista, morreu na passada sexta feira à tarde, no Porto, aos 68 anos de idade. Deixa-nos uma vasta obra que inclui poesia, crónica, ensaio, literatura infantil e peças de teatro, obra que lhe fez merecer em 2011 o Prémio Camões, o prémio mais importante da Língua Portuguesa.
Estreou-se na poesia em 1974 com o livro "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo Calma é Apenas Um Pouco Tarde". Um ano antes, em 1973, havia publicado o seu primeiro livro para crianças "O País das Pessoas de Pernas para o Ar". E muito mais obras publicou ao longo de uma vida que infelizmente não foi muito longa!
Um grande ser humano  muito  conhecido  pelo seu espírito solidário, sentido de humor e algum   inconformismo... o escritor que não tinha medo do fim...

Deixo este pequeno registo - retirado da sua obra -  que me tocou particularmente, porque, por incrível que pareça, este inteligente jogo de palavras transportou-me  para a situação que estamos a viver atualmente no nosso país!... 

Virar o mundo de dentro para fora/ e ver se o mundo assim melhora/ e se nem assim o mundo melhorar/ voltá-lo a virar, a virar, a virar.

Ou:

Pensar de pernas para o ar
é uma grande maneira de pensar
com toda a gente a pensar como toda a gente
ninguém pensava de forma diferente.
Que bom é pensar em outras coisas
e olhar para as coisas noutra posição
as coisas sérias que cómicas que são
com o céu para baixo e para cima o chão.
de o Inventão, Afrontamento, 1987

O POETA PARTIU MAS A OBRA FICOU!!



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Maria Keil


Maria keil nasceu em Silves a 9 de Agosto de 1914 e morreu no passado dia 10 de Junho, na sua casa do Restelo em Lisboa, aos 97 anos de idade.
Artista multifacetada, deixa-nos uma vasta e notável obra -  foi pintora, desenhadora, ilustradora, decoradora, designer gráfica, ceramista, autora de cenários e figurinos para bailados, autora de cartões para tapeçarias, fez publicidade e criou imagens para selos - mas  onde mais se destacou foi no inovador trabalho de azulejaria pelo que, em Maio último, foi distinguida com o prémio SOS Azulejo Obra e Vida.
Foi a autora dos azulejos que forraram as primeiras estações do Metropolitano de Lisboa (rede que teve como responsável o seu marido, o conceituado arquiteto Francisco Keil do Amaral, também já falecido) e, mais recentemente, também autora dos painéis que decoram agora a estação do Metro de S. Sebastião.
Outros painéis de azulejos da autoria de Maria Keil podem ser observados na TAP de Paris e de Nova Iorque, na União Elétrica Portuguesa, no Casino de Vilamoura e no aeroporto de Luanda.

A grande artista conhecida como "Pintora dos Azulejos", mulher de uma enorme sensibilidade, com uma intensa experiência de vida, que adorava viajar para conhecer o Mundo e que o fazia na companhia de seu marido, parte aos 97 anos convicta de que:

"O Mundo é deslumbrante mas não é bonito!"