domingo, 17 de novembro de 2013

Que frio!


Tal como um bom filho, o frio acaba de regressar. E parece que já não há volta a dar. Pressinto que veio mesmo para ficar!.. Não o aprecio..., mas que fazer para o debelar? ( rimas?... Inspiração do frio??)
Pessoalmente, vou voltar a apostar  em bons agasalhos na rua  e no aquecimento possível cá em casa... O conforto da lareira acesa. Acendemo-la hoje, pela primeira vez neste outono. E que bem que se está por aqui!!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

"Trigueira"


(... de Van Gogh)
 
Trigueira! Que tem? Mais feia
Com essa cor te imaginas?
Feia! Tu, que assim fascinas
Com um só olhar dos teus!
Que ciumes tens da alvura
D’esses semblantes de neve!
Ai, pobre cabeça leva!
Que te não castigue Deus.
 
Trigueira! Se tu soubesses
O que é ser assim trigueira!
D’essa ardilosa maneira
Por que tu o sabes ser;
Não virias lamentar-te,
Toda sentida e chorosa,
Tendo inveja à cor da rosa,
Sem motivos para a ter.
 
Triguieira! Porque és trigueira
É que eu assim te quis tanto,
Daí provem todo o encanto
Em que me traz este amor.
E suspiras e murmuras!
Que mais desejavas inda?
Pois serias tu mais linda,
Se tivesses outra cor?
 
Trigueira! Onde mais realça
O brilhar duns olhos pretos,
Sempre húmidos, sempre inquietos,
Do que numa cor assim?
Onde o correr duma lágrima
Mais encantos apresenta?
E um sorriso, um só, nos tenta,
Como me tentou a mim?
 
Trigueira! E choras por isso!
Choras, quando outras te invejam
Essa cor, e em vão forcejam
Por, como tu, fascinar?
Ó louca, nunca mais digas,
Nunca mais, que és desditosa,
Invejar a cor da rosa,
Em ti, é quase pecar.
 
Trigueira! Vamos, esconde-me
Esse choro de criança.
Ai, que falta de confiança!
Que graciosa timidez!
Enxuga os bonitos olhos,
Então, não chores, trigueira,
E nunca dessa maneira
Te lamentes outra vez.
 
                                 JÚLIO DINIS
  
Imagem:JulioDinis.jpg
Júlio Dinis é um conhecido romancista do século XIX que  nasceu  no Porto, no dia 14 de Novembro de 1839. Teve uma vida curta - morreu em 12/09/1871, aos 31 anos - mas deixou uma considerável obra literária.
A lembrar:
"As Pupilas do Senhor Reitor; Uma família Inglesa; A Morgadinha dos Canaviais; Serões da Província; Os Fidalgos da Casa Mourisca e ainda as que foram publicadas postumamente como "Inéditos e Dispersos", "Teatro Inédito" e   "Poesias" , de onde foi retirado o célebre poema "TRIGUEIRA"

sábado, 9 de novembro de 2013

São Martinho quase, quase... a chegar!

 
É já no próximo dia 11 de Novembro (segunda-feira). Até lá, talvez até durante mais um bocadinho, vamos, com quase toda a certeza, continuar a usufruir deste belo sol (que já se fez sentir hoje) a irradiar um calorzinho que, por  fazer lembrar o verão,  é popularmente conhecido como o "Verão de São Martinho."
 
De São Martinho - um dos santos mais populares da Igreja Católica - há conhecimento de uma lenda, que se pode ler na integra AQUI , e inúmeros  provérbios associados a tradições ligadas ao campo. Desse vasto património fiz - e partilho convosco - a seleção dos que considero os mais interessantes: 

- Verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho.
- Dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho.
- No dia de São Martinho vai à adega e prova o vinho.
- Com água-pé, castanhas e vinho, faz-se uma boa festa pelo São Martinho.
- Quem bebe no São Martinho, faz de velho e de menino.
- No dia de São Martinho, assa castanhas e molha-as em vinho.
- Pelo São Martinho, abatoca o pipinho.
- Pelo São Martinho, fura o teu pipinho.
- Pelo São Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.
- Em dia de São Martinho, vai à adega, prova o teu vinho e faz um magustinho.
- Pelo São Martinho, todo o mosto é bom vinho.
- Pelo São Martinho, semeia o teu cebolinho que o meu já está nascidinho.
- Pelo São Martinho, semeia os teus alhos e prova o teu vinho.
- Se queres pasmar o teu vinho, lavra, sacha e esterca pelo São Martinho.
- Pelo São Martinho, mata o porquinho, prova o teu vinho e não te esqueças do teu vizinho.
- Pelo São Martinho, mata o teu porco e semeia o cebolinho.
- Em Novembro, pelo São Martinho, semeia fava e linho.
- Vindima em Outubro, que o São Martinho to dirá.
- Mais vale um castanheiro do que um saco com dinheiro.
- As geadas de São Martinho, levam a carne e o vinho.
- Se o inverno não erra caminho, temo-lo pelo São Martinho.
- Dos Santos a São Martinho, são nove dias de pão e vinho.
- Do dia de São Martinho ao Natal, o médico e o boticário enchem o teu bornal.
- Martinho, bebe o vinho, deixa a água para o moinho.
Os meus desejos de um divertido e feliz  São Martinho para todos os amigos que se dão ao trabalho de me ler!



 



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Quase um ritual da minha vida...

Uma saída logo pela manhã para

 
um CAFÉ QUENTINHO... e um sorriso!... Sabe tão bem!
 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Um sabor diferente...

Uma calma e cinzenta manhã de novembro, a de hoje...

Decorre novembro,  cujo nome se deve à palavra latina novem (nove), dado que era o nono mês do calendário romano, que começava em março. No calendário gregoriano - o nosso -, de origem europeia, corresponde, como é sabido, ao décimo primeiro mês.
Gosto de todos os meses em geral, mas quem me conhece bem, sabe da minha preferência pelos meses da primavera e do verão. Depois, confesso, há outro - NOVEMBRO - pelo qual me sinto particularmente tocada. Atrevo-me a dizer que tem para mim "um sabor diferente". É que  para além de corresponder ao mês em que EU abri os olhos para a vida e para o mundo, sinto-o como um tempo sereno, doce e simpático, com características muito especiais, que, a meu ver, fazem do outono uma eclética estação do ano.
Passo a explicar. O verão começa a despedir-se em outubro e só se recolhe lá para os fins de novembro. Mas o frio, o vento e a chuva também não se inibem de aparecer e desaparecer, esporádica e sorrateiramente, fazendo dele um mês diferente. Não é em vão que na gíria popular se diz que "Novembro é quente no começo e frio no fim."
Por sua vez, é um mês muito calmo, que  apela à paz, à   tranquilidade e à união familiar. Que bom nos sentarmos em redor da boa mesa a saborear a gastronomia típica da estação.  Que bem que sabem o doce de tomate, a marmelada "clarinha", os marmelos cozidos em calda de açúcar ou assados com vinho do Porto, tudo confecionado - de preferência pelas avós - com muita mestria, dedicação e amor!!
E  que tal encontrar na rua aquele fogareiro onde crepitam e de  onde saltam, para além de um fumo esvoaçante e aromático, as deliciosas castanhas assadas que, envoltas em papel de jornal, nos aquecem as mãos e... a alma!?
E que dizer da festa e dos habituais magustos de São Martinho passados em ameno convívio com os amigos e /ou a família!?
E observar, especialmente ao fim do dia, as deslumbrantes paisagens outonais, de vários tons, num degradé que o pôr do sol lhes confere, e que quase nos extasiam!?

Não serão estas, para além de outras que não refiro, para não ser extensa - que extensa já vai a prosa -, razões mais que suficientes para que se sinta um carinho especial pelo mês que ora decorre?? EU SINTO!!
Afinal este é o "meu mês"... que, felizmente, se repete por mais um ano.
A vida é uma dádiva extraordinária! Sinto que é meu dever agarra-la com toda a força e energia e continuar nesta caminhada durante todo o tempo que estiver reservado para mim!

Já agora, para desmistificar um pouco a sagitariana romântica assumida - que eu sei que sou - deixo-vos com Vinícius de Morais, com o qual concordo, quando diz e... canta:
 
"AS MULHERES SAGITARIANAS
SÃO ABNEGADAS E BACANAS
MAS NÃO LHE VENHAM COM GROSSURAS
NEM INJUSTIÇAS OU CENSURAS
PORQUE ELA CUSTA MAS SE ESQUENTA
E PODE SER MUITO VIOLENTA
AÍ, O HOMEM QUE SE CUIDE
- TAMBÉM QUEM GOSTA DE CENSURA".

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Pensamento

A crise que se vive na Europa e no mundo não é uma crise económica, nem uma crise de culturas, é antes uma crise  do homem que, por um lado, perdeu  o sentido da sua própria dignidade e da dignidade dos outros e, por outro, usa a liberdade de tal maneira que gera novas opressões.
                                                   
                                                Papa Francisco - 2013

sábado, 2 de novembro de 2013