sábado, 3 de agosto de 2013

Ó mar salgado...

 
O mar enrola na areia
Ninguém sabe o que ele diz
Bate na areia desmaia
Porque se sente feliz!
(lembram-se desta cantiga popular?)
Ó mar salgado, quanto do teu sal

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
(Fernando Pessoa)