sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Este meu mar...


Quantas vezes, ao fim do dia, já me sentei junto deste meu mar, contemplando o céu  colorido e salpicado de nuvens, em busca da paz, da tranquilidade, daquela resposta ainda não encontrada?? Muitas... e muitas mais vezes se perspetivam,  porque os bramidos que saem deste oceano de voz rouca, mas doce, parecem sempre sussurrar-me aos ouvidos:
- Fica, deixa-te envolver por esta magia e... trata de ser feliz!!

Oceano Nox         

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

                            Antero de Quental, in "Sonetos"

                                                                                               Foto de Vivaldo Gonçalves