segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Rain...


Chove. Há Silêncio

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"


O sol deixou-se apagar, o Verão deu lugar ao Outono, as nuvens instalaram-se no horizonte. Os dias - o de ontem e o de hoje - ficaram escuros e nostálgicos. A chuva apareceu e continua a cair de mansinho, quase sem se notar. São dias silenciosos que podem gerar tristeza aos mais vulneráveis e tristes.

Mas... é preciso acreditar que nenhuma tristeza é eterna, que depois do mau tempo vem a bonança  e que amanhã será outro dia, porventura um dia cheio  de  sol - radioso - e de boas surpresas.






sábado, 28 de setembro de 2013

Modéstia à parte... estava saboroso!

Após o incidente de ontem, que descrevo sucintamente  aqui , e porque não tenho quaisquer dúvidas de que  a mesa da refeição - em família - é um lugar sagrado com poderes surpreendentes, preparei este prato - polvo à lagareiro - tão do agrado da pessoa lesada que, neste caso, é o meu filho.
Penso que consegui criar um ambiente propício à libertação do stress acumulado pelo vandalismo a que foi sujeito, para além do conforto que o estômago terá sentido perante a iguaria apresentada.



Foi tão só um miminho de mãe preocupada! O filho ficou agradado e a mãe... CONTENTE.
  

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Primeira chuva de outono...

Acordei, hoje, ao som da chuva a cair lá fora. São os primeiros indícios da pluviosidade própria de um outono que se assume pujante e decidido! No início do verão quis acreditar nas previsões dos meteorologistas, de que iríamos ter um outubro veranil, mas rendo-me à evidência dos factos. Enganei-me, enganaram-me! ...

Hoje, pela manhã, choveu  bastante. Agora já se vislumbra uma boa réstia  de sol no horizonte. Não obstante, este é um dia cinzento de outono que não me impede de reconhecer  a beleza e a magia que caracterizam esta multicolorida e poética época do ano.
Eu gosto do outono! Dos dias lânguidos e preguiçosos, dos cheiros, das cores, dos deliciosos frutos da época, da temperatura amena, das gaivotas e das cegonhas nos seus rodopios outonais, do pôr do sol, das paisagens, umas mais áridas, outras salpicadas de cores a rondar as do arco íris... Também gosto muito da primavera ( que é, sem dúvida, a que mais agita os meus olhos e preenche o meu coração), e do verão.
O inverno é o meu calcanhar de Aquiles...OK! Reconheço que é uma estação do ano que, tal como as  suas congéneres, também tem os seus encantos - assinalo, entre outras, a época de Natal, de que gosto muito, e os serões passados no calor da família, junto à lareira. O que  não gosto mesmo - não aprecio - é daqueles dias, às vezes seguidos de noites, em que a chuva intensa  teima em cair, arrastando-se pelas noites adentro. E que dizer dos frios renitentes, em que por mais  que nos agasalhemos, continuam a regelar-nos os ossos e... a alma!? E das tempestades!?

Imaginem que ainda o outono não marcou posição, e eu já a pensar e a dissecar sobre o inverno... que ainda não chegou e, já agora,  desejo se mantenha por muito tempo lá pelo hemisfério onde anda...

São, nada mais nada menos, os estados do tempo,  que, gostando mais de uns do que de outros, há que aceitar com alegria e sorriso nos lábios!!

Mais difícil de digerir, muito desagradável e revoltante, foi o vandalismo perpetrado, durante a calada desta noite que passou, ao  carro do meu filho, que se encontrava estacionado à porta de casa, na zona da Grande Lisboa. Um inesperado assalto, pois...porque esta coisa dos assaltos e afins são sempre  inesperados - reveladores de mentes mal formadas e diabólicas (não lhes dá para bater com a cabeça nas paredes),  que se valem da crise financeira para justificar os seus atos violentos, de destruição e roubo.

Bem sei que a crise não ajuda, só que, independentemente da mesma, sempre houve, há e haverá vândalos e gente sem princípios prontos para  provocarem desacatos.
Pelo que devemos estar muito atentos a esta gente sem escrúpulos. Todo o cuidado é pouco!! Lamentavelmente!!

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Dia cinzento, de Outono!

Saí à rua, pela tardinha e, tal como aqui se pode comprovar, dei de caras com...
 
 O OUTONO
 
 
 
 
 
 

 
 
 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Hoje estou para aqui virada...


Epitáfio- Titãs 

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
E até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer...
Queria ter aceitado
As pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria
E a dor que traz no coração...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor...
Queria ter aceitado
A vida como ela é
A cada um cabe alegrias
E a tristeza que vier...
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr...

domingo, 22 de setembro de 2013

Eu gosto assim!

Soalheiro, quente e luminoso este primeiro dia de Outono. Temperaturas, que em nada o caracterizam, a oscilar entre os 15ºC e 34ºC (mínima e máxima, respetivamente). Outono, só mesmo no calendário!
EU GOSTO ASSIM! Nada tenho contra  esta estação em que  predominam os dourados, os vermelhos, castanhos e afins, mas...só de pensar que o Outono antecede o Inverno, arrepio-me toda.
Bem sei que todas as estações têm os seus encantos, mas... o Inverno que me desculpe, não gosto, não tenho pazes com ele, facilmente adoeço e vou à cama, quase deprimo e... por aí.
Que o mesmo é dizer que estou muito contente... não tenhas pressa Outono vem com calma que o teu lugar continua guardado no meu coração e não há nada que me impeça de te receber de braços abertos. Não me importo que sejas tão longo quanto está a ser o Verão. O que quero mesmo é que tramem o Inverno de modo a que seja a mais curta das quatro estações. Vá lá!... Era tão bom!!
 
Para assinalar a data da chegada do Outono  - que na realidade não chegou - fiz-me à estrada com a objetiva como companhia, a fim de tirar umas fotos ao burgo e ao primeiro pôr de sol outonal.
Deixo um pequeno registo...
EM ALCÁCER DO SAL
 
 
 
 
 
 
 















 


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Este meu mar...


Quantas vezes, ao fim do dia, já me sentei junto deste meu mar, contemplando o céu  colorido e salpicado de nuvens, em busca da paz, da tranquilidade, daquela resposta ainda não encontrada?? Muitas... e muitas mais vezes se perspetivam,  porque os bramidos que saem deste oceano de voz rouca, mas doce, parecem sempre sussurrar-me aos ouvidos:
- Fica, deixa-te envolver por esta magia e... trata de ser feliz!!

Oceano Nox         

Junto do mar, que erguia gravemente
A trágica voz rouca, enquanto o vento
Passava como o voo do pensamento
Que busca e hesita, inquieto e intermitente,

Junto do mar sentei-me tristemente,
Olhando o céu pesado e nevoento,
E interroguei, cismando, esse lamento
Que saía das coisas, vagamente...

Que inquieto desejo vos tortura,
Seres elementares, força obscura?
Em volta de que ideia gravitais?

Mas na imensa extensão, onde se esconde
O Inconsciente imortal, só me responde
Um bramido, um queixume, e nada mais...

                            Antero de Quental, in "Sonetos"

                                                                                               Foto de Vivaldo Gonçalves