domingo, 12 de agosto de 2012

Peripécias de uma avó!


Fiquei a tomar conta dos príncipes para dar oportunidade aos papás de um jantar com amigos  numa das muitas festas de Verão que se realizam por aqui nesta altura - hoje, em Vilamoura, suponho...
Para uma ajudinha, contei com a presença e a disponibilidade da minha mãe, bisavó das crianças.

Só filmado! Foi uma sinfonia! O Vicente, com o desgosto da mamã não o ter levado, balbuciou choramingando: "avó, quero o meu mamã", e pura e simplesmente não jantou - "avó, o Vicente não gosta da sopa" - a mesma que  ao almoço havia comido e adorado - "hum...que boa! O Vicente gosta muito da sopa da avó!"

No entretanto, o bebé Mia, ao colo da bisavó, desmanchou-se numa birra como nunca o vi fazer durante os seus curtos 5 meses de vida! A minha mãe, nos seus vetustos 84 anos, aguentou-se na maior - o rapazinho já deve pesar perto dos 7 quilos - e lá andou com ele de um lado para o outro cantarolando, enquanto eu me preparava para os levar a dar uma volta pela marginal para respirarmos o fresquinho da noite, já que as "temperaturas" cá em casa estavam muito "altas e agitadas"!!

Peguei neles e saí, porta fora, convicta de que os ânimos iriam serenar. E serenaram! O bebé Mia comodamente instalado no seu carrinho, que orgulhosamente empurrei durante a noite, acabou com a birrinha e sorriu, sorriu... muito bem disposto!! E nós, avó e bisavó, também sorrimos, de alívio, pois claro!!
 
Pensei para os meus botões: finalmente!... Irra que estava a ficar stressada...
Então disse para a minha mãe:
- Vamos andar por aqui um bom bocado, para que fiquem com sono e adormeçam assim que cheguem a casa.

Se bem pensei melhor o fiz! Andámos, andámos... o Vicente extremamente feliz deu duas voltinhas no "helicópto" (helicóptero), seguimos rumo ao parque infantil onde mais uma vez e, durante bastante tempo, o meu neto mais velho se deliciou e de onde, mesmo assim, não queria sair...
 
Dado o adiantado da hora e considerando que já deviam estar cansadinhos e prontos para o merecido descanso, convenci o Vi de que tínhamos de regressar a casa porque o mano estava a ficar com sono. Muito compreensivo e ternurento, obedeceu abandonando de imediato o aparelho onde se divertia, para se dirigir ao mano e fazer-lhe uma festinha no rosto.

Porém, a verdadeira serenata começava agora. O Mia, até então muito bem disposto, parecendo prever o regresso a casa, desata num choro tal, que mais parecia que alguém o estava a torturar! Não obstante o olhar indignado dos curiosos, insisti em mantê-lo dentro do carro até mais ou menos metade do percurso - o que rondou uns 10 minutos - mas nada de conseguir que o meu neto fechasse a "goela"... Então parei, dei-lhe colinho e aí, sim, calou-se e acalmou. E eu também, claro! Tão pequeninos e como sabem tão bem o que querem e do que gostam!!...

Então continuámos o percurso, eu com o bebé ao colo, a bisavó atrapalhadíssima a empurrar o devoluto mas sofisticado carro - do qual também não gosto nada, a minha carta de condução não me preparou para guiar aquelas "máquinas" - e o Vicente ao lado, cansadinho e eu a perceber que também ele queria o colinho que eu não podia dar, e a "balhó" (a bisavó) obviamente que também não. Afinal, ele é tão só um bebé um pouquinho mais crescido!! Como o compreendi...meu rico neto! Avós que se prezem, o que gostam mesmo é de ver os seus netos bem dispostos e felizes, não é??

Já no conforto do lar, depois de tratados e a dormirem nas suas caminhas,  revivemos os momentos, - eu e a bisavó - demos umas fortes gargalhadas e concluímos que estas cenas dariam um belo filme cómico!!

Mas uma coisa decididamente não faço mais: sair à noite com o Vicente e o Mia - netos que amo incondicionalmente - para o meio da multidão . Só mesmo com a companhia dos seus pais.

Agora dormem tranquilamente... e eu por aqui continuo mais acordada do que nunca com eles no meu coração!

Passo seguinte: espreitá-los, nas suas camas, para me certificar de que continuam num tranquilo soninho...

Só quem tem a felicidade de ser avó pode passar por idênticas peripécias e vivê-las com a intensidade com que eu as vivo :-))