domingo, 17 de fevereiro de 2013

A chuva chove...


                  A chuva chove mansamente... como um sono
                  Que tranquilize, pacifique, resserene...
                  A chuva chove mansamente... Que abandono!
                  A chuva é a música de um poema de Verlaine...

                  E vem-me o sonho de uma véspera solene,
                  Em certo paço, já sem data e sem dono...
                  Véspera triste como a noite, que envenene
                  A alma, evocando coisas líricas de outono...

                  ...Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
                  Com muita névoa pelos ombros da montanha...
                  Paço de imensos corredores espectrais,

                 Onde murmuram velhos orgãos, árias mortas,
                 Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
                 Revira in-fólios, cancioneiros e missais...
                        (Cecília Meireles)


Por aqui choveu durante toda a tarde... De mansinho!... O dia  apresentou-se  bastante escuro e melancólico.  Aceitei-o como um convite ao conforto do lar,  onde me mantive refastelada num dos meus sofás, junto à  lareira, evocando a vida - com lirismo -, ao som da chuva e de  música do meu agrado.
Porque estes momentos também são necessários!! Ajudam-nos a encontrar o equilíbrio!  E sendo eu uma pessoa que gosta mais de deambular por aqui e por ali... confesso que esta foi uma tarde muito saborosa!!